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Diabetes na Prática Clínica

Uma Publicação On-Line da Sociedade Brasileira de Diabetes
Editores: Dr. Reginaldo Albuquerque e Dr. Augusto Pimazoni Netto

Dr. Reginaldo Albuquerque
Editor médico do site da Sociedade Brasileira de Diabetes

EditorialPublicado em 21/05/2008

Diabetes mellitus: presente e futuro de uma Epidemia anunciada

Todo bom e tradicional livro sobre diabetes começa com a história da doença. Aprendemos que se trata de uma patologia antiga, que Banting & Best foram os descobridores da insulina e muitas outras coisas mais. Entretanto, este não é um livro tradicional. Muito pelo contrário, o livro eletrônico representa uma significativa evolução editorial, não apenas por seu conteúdo atual mas, principalmente, por permitir uma atualização contínua de seus conteúdos.

Os conhecimentos sobre diabetes experimentaram uma dramática evolução nos últimos anos, não só quanto aos mecanismos patológicos das doenças como em relação às novas opções terapêuticas, todas elas desenvolvidas com base no próprio mecanismo fisiopatológico do diabetes. Esta fantástica evolução nos conhecimentos sobre a doença nos trouxe boas e más notícias.

Comecemos pelas más notícias. Embora de caráter controlável, o diabetes vem despontando como uma epidemia de graves proporções. Sua prevalência está aumentando assustadoramente, como resultado do envelhecimento da população e das alterações negativas no estilo de vida.  Além disso, a doença está se manifestando em idades cada vez mais precocemente. Não existe um gen único que seja o causador solitário da doença, frustrando o trabalho de muitos pesquisadores. Os geneticistas agora acreditam que um grupo de genes disseminados pelo genoma, em combinações variáveis  e numa interação complexa com fatores adquiridos, levam ao aparecimento do diabetes e de suas complicações, cujo impacto varia de indivíduo para indivíduo. Finalmente desapareceu a distinção clássica, entre diabetes do tipo 1 ou 2 e já reconhecemos o “tipo 1.5”, ou seja, o diabetes autoimune latente do adulto; passamos a diagnosticar muitos casos de diabetes tipo 2 em adolescentes e casos de diabetes do tipo MODY, onde existe uma alteração genética. Deparamos, ainda, com várias formas de intolerância à glicose, como as encontradas na gestação, ovário policístico e esteato-hepatite.

Entretanto, a evolução do conhecimento também trouxe boas notícias. Por exemplo, agora compreendemos todos os aspectos fisiopatológicos das hiperglicemias e somos capazes de conhecer os níveis de glicemia em qualquer momento, com tecnologias portáteis de ponta. Compreendemos, também, as bases celulares da resistência à insulina que prediz, precede e caracteriza a intolerância à glicose. Temos conhecimentos profundos do papel do pâncreas endócrino no diabetes e, também, do seu papel na perda progressiva ou abrupta da função das células beta. Reconhecemos, cada vez mais, os efeitos dos hormônios gastrintestinais no controle glicêmico, bem como os efeitos nocivos da obesidade e do sobrepeso no controle do diabetes. Estão avançados os estudos sobre os mecanismos de hipertrofia das ilhotas (neogênese vs replicação).

Estes novos conhecimentos resultaram em intensa atividade da indústria farmacêutica. Por mais de meio século, os únicos tratamentos disponíveis para os estados hiperglicêmicos foram as sulfas, a insulina e a metformina. Agora, as novas drogas procuram atuar nos múltiplos mecanismos fisiopatológicos do metabolismo glicídico. Novas e excitantes estratégias estão sendo estudadas e entre elas estão: a ativação da glicoquinase, o bloqueio da ação do glucagon, o impedimento da reabsorção renal de glicose, o retardamento do esvaziamento gástrico, a insulina inalada e a oral.  A possibilidade de normalização da glicemia durante 24 horas não parece longe e poderá ser alcançado em breve, um fato comparável ao conseguido com as estatinas, em relação ao colesterol.

Este livro eletrônico tem como proposta básica a abordagem de todos esses excitantes novos caminhos do diabetes, através de uma linguagem descomplicada, prática e objetiva. É um caminho contemporâneo e que, esperamos, seja sempre atual, graças à contribuição de todos os estudiosos brasileiros.

 

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